Encerramento da mostra

   Chegou ao fim, ontem, dia 18 de setembro, a mostra de filmes do evento Arquivos da Ditadura. Foram apresentados três filmes: “Não é hora de chorar” de Pedro Chastel e Luiz Alberto Sanz; “70”, de Emília Silveira, e, fechando a mostra, “Retratos de identificação”, de Anita Leandro. O debate do dia teve a participação das duas diretoras, com medição de Juniele Rabêlo de Almeida.
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Imagens da exibição do filme Retratos de identificação.
   O debate abordou temas como a falta da memória coletiva e pessoal, e o quanto filmes como os que foram apresentados são importantes, tanto para a parcela da sociedade brasileira que viveu na época da ditadura quanto para os que vieram depois. Abordagens pessoais, como a ligação direta de Emília Silveira com a luta contra a ditadura e o interesse de Anita Leandro pelo tema desde a época da anistia, como estudante e jornalista, também foram colocados em pauta.
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As diretoras Emília Silveira e Anita Leandro.
   A utilização de arquivos comuns em ambos os filmes foi uma questão bastante discutida, assim como o modo de abordagem desses arquivos. De acordo com Anita, esse material foi colocado como personagem principal de seu filme, enquanto Emília os considerou como secundários no estilo de documentário que realizou.
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Juniele Rabêlo mediando o debate e público.
  Todos os presentes se mostraram muito interessados e participaram ativamente do debate. Ao final, Anita Leandro agradeceu ao público, a todos os que participaram da realização da mostra e do seminário.
Por Pedro Vasconcellos. Imagens de André Telles e Alexandre Kubrusly.

Debate sobre “Cabra marcado para morrer” com Eduardo Escorel encerra o penúltimo dia da mostra.

   A mostra de filmes chegou ao seu penúltimo dia, ontem, 17 de setembro. Foram exibidos três filmes finalizados durante a década de 1980, período em que o Brasil começava seu processo de abertura política. O público pôde assistir a “Que bom te ver viva”, de Lucia Murat, “Em nome da segurança nacional”, de Renato Tapajós, e “Cabra marcado para morrer”, clássico de Eduardo Coutinho, seguido de debate com Eduardo Escorel, montador deste último filme.
    O debate, mediado pela pesquisadora Thaís Blank, foi marcado pela curiosidade do público quanto à relação entre Escorel e Eduardo Coutinho no processo de montagem do filme. Cenas marcantes foram relembradas, como aquela em que Coutinho interrompe uma entrevista para verificar as condições da gravação de som. Eduardo Escorel afirmou que tinha dificuldades para responder a todas as curiosidades do público, já que sua memória – e a de Coutinho, quando estava vivo – alterou ou apagou muitas das lembranças relativas ao processo de montagem do filme.
   Mesmo assim, relembrou o caráter quase místico que rondava o projeto, já que a interrupção abrupta da primeira gravação, em 1964, marcou Coutinho profundamente. O montador também defendeu a ideia de que a retomada das filmagens foi realizada no momento exato para que o resultado fosse positivo. A lei da anistia deu segurança a Coutinho para que pudesse contactar os antigos personagens sem medo de expô-los à repressão do governo militar.
    Hoje, dia 18 de setembro, encerra-se a mostra de filmes do evento Arquivos da Ditadura. Serão exibidos “Não é hora de chorar”, de Luiz Alberto Sanz, “70”, de Emília Silveira e “Retratos de Identificação”, de Anita Leandro, filme nascido da pesquisa de arquivos que deu origem ao evento, seguido de debate com a diretora.
Por Bernardo Girauta. 

PROGRAMA MARCAS DA MEMÓRIA E DEBATE COM SÍLVIO DA-RIN

 A mostra de filmes do evento Arquivos da Ditadura, realizado no Centro Cultural Justiça Federal, está em seus últimos dias e trouxe para o público, ontem, dia 16 de setembro, o programa Marcas da Memória, com a exibição dos filmes Repare Bem e Militares da Democracia: os Militares que Disseram Não. No mesmo dia, também foi exibido Hércules 56. No final das sessões, houve um debate com o diretor Sílvio Da-Rin, mediado por Paulo Oneto, professor da Escola de Comunicação da UFRJ.
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Sílvio Da-Rin.
O documentário Repare Bem, dirigido por Maria Medeiros, destaca as marcas deixadas pelas sessões de tortura da ditadura militar brasileira na vida de Denise Crispim, filha de pais militantes e casada com Eduardo Leite, o Bacuri, assassinado após 109 dias de violentas torturas. Em Militares da Democracia: os Militares que Disseram Não, de Silvio Tendler, é apresentado um lado desconhecido do Golpe de 64: os militares que se mantiveram contrários à ditadura e foram perseguidos, cassados, torturados e mortos.
O último filme exibido na noite foi Hércules 56, de Sílvio Da-Rin, cujo título refere-se à matrícula do avião que levou para o México os 15 presos políticos trocados pela liberdade do embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado em 1969. Os personagens escolhidos para participar do documentário foram os integrantes do comando da ação e os presos políticos, pessoas que tiveram suas vidas marcadas irreversivelmente pelo sequestro. Em seguida, o debate com o diretor e o público trouxe questões sobre momentos importantes do filme e as motivações de sua realização, esclarecidas por Da-Rin como a necessidade de “colocar em discussão pública a questão da luta armada no Brasil”.
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Sílvio Da-Rin e Paulo Oneto no debate.
A mostra de filmes ainda exibiu hoje Que Bom te Ver Viva, de Lucia Murat; Em Nome da Segurança Nacional, de Renato Tapajós, e Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho. Amanhã haverá a exibição de Não é Hora de Chorar, de Pedro Chaskel e Luiz Alberto Sanz, e 70, de Emília Silveira, além da reexibição do filme de Anita Leandro Retratos de Identificação.
Por Eduarda Kuhnert.Imagens de André Telles.

Última exibição do programa Luiz Alberto Sanz

   O terceiro dia da mostra de filmes aconteceu ontem, dia 14 de setembro. O público pôde assistir a uma reexibição do programa Luiz Alberto Sanz. Foram exibidos, novamente, três filmes que ele produziu durante o exílio: “Não é Hora de Chorar”, “Gregório Bezerra” e “Quando Chegar o Momento (Dôra)”.
    Ao final da sessão, iniciou-se mais um debate com o cineasta. Ele frisou o caráter brechtiano de seus filmes, chamando a atenção para duas características presentes: o distanciamento e a dúvida. Também lembrou da vida no exílio e de como o impacto de ser um exilado se manifestava de forma distinta entre os militantes de diferentes classes sociais.
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Luiz Alberto Sanz.
Em seguida, o público, incluindo ex-companheiros de Luiz Alberto Sanz na luta armada contra a ditadura militar, iniciou um debate e provocou uma reflexão sobre a vida no exílio. O diretor falou sobre sua tentativa de discutir a situação da política brasileira estando em um país estrangeiro e lembrou que buscou dialogar com os chilenos e suecos que poderiam vir a assistir aos filmes. O diretor também lembrou que vários filmes da mostra utilizam imagens de “Não é Hora de Chorar” e “Quando Chegar o Momento”, ressaltando a relevância daquela produção realizada no calor do momento.
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Luiz Alberto Sanz e Anita Leandro no debate.
Amanhã, dia 16 de setembro, a mostra de filmes continua às 14h30 com o programa “Marcas da Memória”. Serão exibidos “Repare Bem”, de Maria de Medeiros, e “Os Militares Que Disseram Não”, de Sílvio Tendler. Já às 18h30, o público poderá assistir ao “Hércules 56”, de Sílvio Da-Rin, seguido de debate com o realizador. A mediação é do pesquisador Paulo Oneto (UFRJ).
Por Bernardo Girauta. Imagens de André Telles. 

Olney São Paulo e Luiz Alberto Sanz

  O segundo dia da mostra de filmes, que ocorreu ontem, dia 13 de setembro, contou com a exibição de cinco filmes, divididos em dois programas. O primeiro, de Luiz Alberto Sanz, com os documentários “Não é hora de chorar”, “Gregório Bezerra” e “Quando chegar o momento (Dôra)”; o segundo programa contou com películas sobre o cineasta Olney São Paulo: “Sinais de cinza”, de Henrique Dantas, e “Manhã Cinzenta”, de Olney São Paulo. Após a exibição de cada programa foram realizados debates sobre os filmes exibidos.
  O primeiro programa, de Luiz Alberto Sanz, contou com filmes que o cineasta realizou no exílio. “Não é hora de chorar” foi feito no Chile e conta o testemunho de seus companheiros também exilados. Já no filme “Gregório Bezerra”, realizado na Suécia, o protagonista fala da tortura sofrida no Brasil e nomeia seus carrascos. Por fim, “Quando chegar o momento (Dôra)”, também feito na Suécia, trata do suicídio de Maria Auxiliadora Lara Barcellos, ocorrido no exílio, e conta a realidade dos exilados políticos na Europa.
 Após a exibição dos filmes, o cineasta Luiz Alberto Sanz e o escritor Reynaldo Guarany participaram de um debate acerca dos documentários, com a mediação de Anita Leandro. Luiz comentou sobre o processo de criação, do processo de sofrimento culminado da produção e da recepção do público europeu aos seus filmes. Guarany falou sobre o suicídio de Dôra, e fez uma análise sobre a sociedade brasileira e o marxismo.
  No segundo programa, dedicado à Olney São Paulo, ocorreu a exibição do documentário de Henrique Dantas, “Sinais de Cinza”, que conta a história de Olney e do que ele sofreu durante a ditadura militar, e do filme “Manhã Cinzenta”, do próprio Olney, ficção sobre dois jovens torturados na prisão.
  O debate acerca desses filmes contou com a presença de Henrique Dantas e José Carlos Avellar, com mediação de Patrícia Machado. Henrique falou sobre o descaso com Olney e sua obra, do estado de conservação dos filmes e da dor da família do cineasta. José Carlos Avellar descreveu a sua convivência com Olney, a filmagem de “Manhã Cinzenta” e a importância da Cinemateca na época.
  Hoje, dia 14 de setembro, ocorre novamente o programa Luiz Alberto Sanz, com a apresentação dos mesmos filmes e, logo após, o debate com Luiz Sanz e Reinaldo Guarany.
Por Pedro Vasconcellos.

Master class com Susana de Sousa Dias e abertura da mostra

   A abertura da mostra de filmes do evento Arquivos da Ditadura, realizada dia 12 de setembro, no Centro Cultural Justiça Federal, contou com a exibição do documentário 48, de Susana de Sousa Dias, e com a estreia de Retratos de Identificação, de Anita Leandro. A mostra acontecerá até o dia 18 de setembro, com projeções de treze filmes sobre o período da repressão, sempre seguidas de debates com cineastas e pesquisadores convidados.
  Professora da Universidade de Lisboa e artista convidada no Flaherty Seminar, em Nova Iorque, a diretora portuguesa Susana de Sousa Dias participou de uma masterclass sobre a sua obra, após a exibição do seu filme 48. O documentário trata do tema da tortura durante o regime de Salazar em Portugal, reunindo relatos de antigos prisioneiros, sobrepostos às fotografias tiradas pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) na época em que foram detidos. Durante a masterclass, mediada por Andrea França, a realizadora apresentou questões referentes ao processo de criação do filme, como o cuidado com a montagem e a relação entre som e imagem.
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Susana de Sousa Dias                           Andrea França
  O documentário Retratos de Identificação, de Anita Leandro, professora e pesquisadora em cinema da Universidade Federal do Rio de Janeiro e organizadora do evento, foi realizado a partir de fotografias do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e do Superior Tribunal Militar. O filme narra a trajetória de Maria Auxiliadora Lara Barcellos, a Dôra, desde a sua prisão, em 1969, até o seu suicídio, já em exílio na Alemanha. Retratos traz também depoimentos de Roberto Espinosa e Reynaldo Guarany e a versão verdadeira da morte do guerrilheiro Chael Schreier.
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Reinaldo Guarany e Anita Leandro após a sessão. 
Após a exibição do filme, houve um debate com a diretora, Reynaldo Guarany e o cineasta Luiz Alberto Sanz, sobre as provocações do documentário no público e a importância da construção de uma memória coletiva no Brasil. Retratos de Identificação será exibido novamente na mostra no dia 18 de setembro, às 18h30.
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Luiz Alberto Sanz e Reinaldo Guarany durante o debate. 
A mostra de filmes Arquivos da Ditadura exibe, dia 13 e 14 de setembro, Não é Hora de Chorar, Gregório Bezerra e Quando Chegar o Momento (Dôra), no programa Luiz Alberto Sanz, a partir de 14h30. O programa Olney São Paulo traz às 18h os filmes Sinais de Cinza e Manhã Cinzenta.
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Público no cinema do CCJF.
Por Eduarda Kuhnert. Imagens de André Telles. 

Os arquivos no documentário

  Ontem, dia 11 setembro, ocorreu a terceira e última mesa do seminário A Pesquisa em Arquivos. Com a participação de Patrícia Machado e Anita Leandro, ambas da UFRJ, e de Susana de Souza Dias, da Universidade de Lisboa, o tema abordado foi “Os arquivos no Documentário”, com a mediação de Victa de Carvalho, também da UFRJ.
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  As integrantes da mesa no auditório do CCJF. 
  Iniciando com as “Imagens da Ditadura: a tomada e retomada do documentário”, Patrícia Machado falou sobre a cobertura cinematográfica do enterro do estudante Edson Luís, assassinado pela polícia militar em 1968. A pesquisadora considerou o episódio como o estopim contra o regime ditatorial, culminando com mais de cinquenta mil pessoas manifestando-se pelas ruas do Rio de Janeiro. O evento foi registrado pelas lentes de Eduardo Escorel e José Carlos Avellar que, apesar do sentido de urgência relatado por Patrícia, conseguiram registrar o início da resistência contra a ditadura. As imagens dos cineastas brasileiros foram reapropriadas pelo francês Chis Marker para relatar esse período da história do Brasil.
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 Patrícia Machado (UFRJ)
   Logo após, Anita Leandro expôs o tema “Montagem de arquivos, uma outra escrita da história”, inicialmente relatando sobre o processo de recolhimento da documentação escrita, oral e visual para a realização do filme “Retratos de Identificação”, de sua autoria. Anita também contou de forma breve a história dos personagens principais da película, presos durante a ditadura, Chael Charles Schreier, Antonio Roberto Espinosa, Reinaldo Guarany e Maria Auxiliadora Lara Barcellos.
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 Anita Leandro (UFRJ), diretora de Retratos de identificação.
   Foram ainda mencionadas por Anita as dificuldades para a obtenção dos arquivos que, além do avançado estado de deterioração, são regulados pelas forças armadas brasileiras. Também os métodos de filmagem e a abordagem aos participantes retratados no documentário foram categorizados e comentados pela professora.
   Para finalizar, Susana de Souza Dias tratou do tópico “O que fazem as imagens? A dimensão processual e atuante das fotografias de cadastro dos presos políticos portugueses (1926-1974)”, retomando a fala da Anita sobre a dificuldade da obtenção de arquivos, da burocracia e manipulação por parte do governo português. A cineasta também mostrou fotos de presos políticos que ela utilizou em seu filme “48”, contando um pouco da história de cada um.
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 Susana de Sousa Dias (Universidade de Lisboa e Paris 3), diretora de  48.
   Ao final, Victa de Carvalho fez a ligação entre os temas abordados pelas três participantes e convidou o público para comentar e fazer perguntas. Seguindo a tendência dos dois dias anteriores, a participação do público presente foi ativa e contagiante, fazendo inclusive com que o debate extrapolasse o tempo previsto.
   No dia seguinte, 12 de setembro, a discussão continuou com a apresentação do filme “48”, de Susana de Souza Dias, seguido de uma masterclass com a cineasta. Mais tarde, o dia terminou com a estreia do filme de Anita Leandro “Retratos de Identificação”, seguindo-se um debate com a cineasta logo após a exibição.
Por Pedro Vasconcellos. Imagens de Alexandre Kubrusly.
 
 

Os arquivos nas artes

   Foi realizada ontem, dia 10 de setembro, a segunda mesa do seminário A Pesquisa em Arquivos. Em conjunto com o público presente no Centro Cultural Justiça Federal, os pesquisadores Teresa Bastos, Maria Angélica Melendi e Leila Danziger discutiram questões relativas ao tema “Os Arquivos nas Artes”.
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As integrantes da mesa acompanhadas de Leandro Pimentel (UFRJ), mediador.
   A professora e pesquisadora da Escola de Comunicação da UFRJ, Teresa Bastos, iniciou o debate apresentando o trabalho “De algoz a guardiã: a utilização da fotografia nos aparatos repressivos da polícia política brasileira”. Teresa mostrou ao público fotografias tiradas pela polícia como forma de vigiar o fantasma do “perigo vermelho” desde a década de 1930 até 1983. Através da análise fotográfica, a pesquisadora também chamou a atenção para a posição dos próprios fotógrafos da repressão, ora escondidos como espiões, ora mais à vontade para registrar aquilo que buscavam. Ironicamente, tais documentos ajudam a formar uma memória histórica daqueles que foram perseguidos pela repressão.
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Teresa Bastos (UFRJ)
Em seguida, foi a vez de Maria Angélica Melendi, professora e pesquisadora da UFMG, apresentar o trabalho “Imaginar o inimaginável: as imagens retornadas”. Foram apresentadas fotografias que constituem provas de crimes cometidos, por exemplo, pela ditadura militar argentina. Seguiu-se, então, uma reflexão a respeito da necessidade das fotografias para que possamos lembrar que o inimaginável realmente aconteceu.
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  Angélica Melendi (UFMG)
Encerrando o debate, Leila Danziger, da UERJ, apresentou o trabalho “Quando a transmissão falha: o cemitério dos pretos novos”. Utilizando como ponto de partida a descoberta do cemitério dos pretos novos no Rio de Janeiro em 1996, Danziger procurou discutir a questão do resgate da memória daqueles que perderam o nome.
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Leila Danziger (UERJ)
Como no primeiro dia do seminário, o público participou intensamente das discussões, concretizando interlocução entre os três trabalhos e criando novas relações entre eles.
   Hoje, dia 11 de setembro, às 18h30, na sala de cinema do Centro Cultural Justiça Federal, acontecerá a terceira mesa do seminário, intitulada “Os Arquivos no Documentário”. Participam desse debate os pesquisadores Patrícia Machado (UFRJ), Anita Leandro (UFRJ) e Susana de Sousa Dias (Universidade de Lisboa), com mediação de Victa de Carvalho (UFRJ).
Por Bernardo Girauta. Imagens de Alexandre Kubrusly.

O historiador nos arquivos

   A primeira mesa do seminário A Pesquisa em Arquivos, composta por Paulo Knauss, Rodrigo Patto Sá Motta, Jean-Pierre Bertin-Maghit e mediada por Anita Leandro, trouxe ao público do Centro Cultural Justiça Federal questões relevantes acerca do tema “O Historiador nos Arquivos”, na noite de ontem. Os arquivos, que hoje estão presentes em diversas áreas de pesquisa, tem uma ampla importância não somente no trabalho dos historiadores, mas também no campo do cinema ̶ ficcional e documental ̶ e das artes plásticas.
  Intitulada “Arquivos da repressão e resistência: entre história e memória”, a apresentação de Paulo Knauss, professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense e diretor-geral do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, expôs a importância da luta pelo acesso aos documentos produzidos durante a ditadura militar brasileira, uma vez que houve uma produção documental massiva durante esse período. Ainda sobre esse tema, Knauss debateu sobre o uso contemporâneo dos arquivos de época e também sobre a migração dos documentos para outros contextos narrativos.

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 Paulo Knauss (UFF)
    O professor do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais, Rodrigo Patto Sá Motta, buscou em sua fala discutir os desafios e perspectivas da pesquisa em arquivos das agências de repressão. A trajetória de abertura desses arquivos, os dilemas do pesquisador e o processo de criação de leis foram pontos da sua apresentação, que trouxe a reflexão sobre a atuação das agências repressivas.

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  Rodrigo Patto Sá Motta (UFMG)
   Por fim, o professor de cinema da Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3 Jean-Pierre Bertin-Maghit apresentou questões referentes a filmes produzidos por soldados franceses durante a guerra da Argélia. Denominado por Bertin-Maghit de “cartas-filmadas”, os filmes produzidos eram semelhantes a cartas endereçadas às famílias dos soldados, já que estas eram as destinatárias dos rolos, e contavam fragmentos da estada desses “cineastas amadores” na guerra.
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Jean-Pierre Bertin-Maghit (Paris 3)
O primeiro dia do seminário contou também com debate entre palestrantes e plateia, buscando unir os temas apresentados anteriormente e entender a questão do arquivo como lugar de construção de memória.
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Anita Leandro (UFRJ)
Por Eduarda Kuhnert. Imagens de André Telles.